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Bastidores·

Bastidores do clipe da Far From Alaska: produção de videoclipe com painel de LED em São Paulo

Bastidores da produção de videoclipe da Far From Alaska em São Paulo: painel de LED no lugar da pós e o take que quase não deu certo.

De braços abertos diante do painel de LED com imagem de mar, nos Estúdios São Paulo

Tem um take neste clipe que começa num plano muito fechado e termina com o set inteiro no quadro — sem corte. Era o plano mais importante do dia. Era também o mais arriscado: “podia não funcionar, e podia ficar cafona”, como resumiu o Rudge Campos, diretor do projeto. Funcionou. E a história desse take conta bem o que foi essa diária nos Estúdios São Paulo, no Morumbi.

A Far From Alaska voltou de um hiato neste ano, e o Rudge — fã antigo da banda — escolheu “Good Party” pra transformar em clipe: uma faixa mais pop dentro de um repertório que sempre pesou pro rock. Ele chegou com uma visão clara e uma honestidade rara: “eu não ia conseguir fazer isso sozinho”. A YAD entrou com o estúdio, o painel de LED, o acervo de câmeras, lentes e luz — e a engenharia de vídeo que faz tudo isso conversar. A fotografia é assinada pelo Thiago Marcondes, sócio da YAD.

Set escuro com um círculo de mar no painel de LED, cantora diante dele e o monitor de referência mostrando o frame
Guitarrista com uma Gibson SG rosa diante do painel de LED com mar azul, cercado por softboxes
Tablet com o aplicativo de controle de iluminação aberto no projeto do clipe, câmera e monitor ao fundo
O painel de LED visto por trás, com os módulos acesos, e a cantora do outro lado do set
Dois integrantes da equipe rindo entre um take e outro, com a guitarra rosa e um flare de luz
Plano geral do estúdio com o teto industrial, barras de cor no painel e a equipe se abraçando
Equipe e banda posando juntas diante do painel de LED azul e laranja
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O círculo de mar no painel — e o mesmo quadro no monitor de referência.

O painel de LED não era fundo — era parte da história

A primeira decisão de projeto: o painel não entraria como cenário bonito atrás da banda. O conteúdo que rodava nele reagia à música e refletia o que cada trecho do clipe queria dizer. Na prática, isso inverteu a ordem de trabalho — o que normalmente seria semanas de pós-produção de cenário foi criado antes e executado ao vivo, no set. O que a câmera captou é o que o clipe é.

Pra quem dirige, isso muda o jogo de um jeito específico: o artista vê a cena pronta enquanto grava. Entre um take e outro, a banda assistia ao material na tela grande do estúdio — e a empolgação deles a cada take aprovado virou combustível pro resto da diária.

As lentes DZOFilm e o take de um plano só

O take que abre este texto dependia de duas coisas: uma lente com versatilidade pra sair de um plano muito fechado e chegar num muito aberto sem troca, e um ensaio de movimentação que ninguém vê no resultado final. As DZOFilm do nosso acervo resolveram a primeira parte. A segunda foi repetição: coreografia de câmera marcada e refeita até a virada inteira caber num movimento só.

É o tipo de plano em que a técnica escora a ideia — sem a lente certa e sem o ensaio, a mesma ideia terminava “cafona”, pra usar a palavra do próprio diretor. O medo dele fazia sentido. A resposta pra esse medo não foi coragem: foi estrutura.

Câmera Canon EOS C400 montada com monitor e zoom branco no set, com o painel de LED laranja ao fundo
A Canon C400 do acervo, pronta pro próximo take.

Se você vai gravar um clipe em estúdio com LED, começa por aqui

  • Leve o conteúdo do painel pronto e aprovado antes da diária — o LED só substitui a pós se o que roda nele já estiver certo.
  • Ensaie o plano mais ambicioso com a câmera de verdade, não só no papel. Enquadramento muda de peso quando a lente entra.
  • Defina quem opera o painel durante o take. Conteúdo na tela é função de alguém, não detalhe.
  • Reserve tempo pra banda assistir aos takes em tela grande — muda a energia do set, e energia aparece na imagem.
  • Escolha a lente pelo plano mais difícil do roteiro, não pela lista padrão.

Estrutura não é o contrário de autoral

Projeto autoral costuma ser romantizado como coisa feita na garra, no improviso, com o que der. Esse clipe deixou a nossa leitura: a garra continua obrigatória — mas é a estrutura que deixa uma ideia ambiciosa ficar de pé sem virar gambiarra. O take mais autoral do clipe só existe porque tinha estúdio, painel contando história, lente certa e uma equipe que ensaiou até dar. A visão era do Rudge. O nosso trabalho foi garantir que ela chegasse inteira na tela.

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