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Bastidores do filme “Pressure” e a iluminação da sala de mapas

Como o filme Pressure iluminou uma locação única: temperaturas de cor programadas, Alexa Mini e Cooke S4 para simular horas e clima numa sala só.

Brendan Fraser interpreta o general Dwight D. Eisenhower e Andrew Scott interpreta o meteorologista James Stagg no novo filme *Pressure*, sobre os momentos de tensão que antecederam a invasão do Dia D durante a Segunda Guerra Mundial.

Pressure e a luz da sala de mapas

Pressure se passa quase inteiro dentro de um cômodo. É um filme de guerra em que a decisão que move a história é baseada na previsão do tempo, e a câmera passa a maior parte do longa numa sala de mapas cheia de gente esperando o céu abrir. Se a gente para e analisa a situação, já percebe o problema: se o filme acontece numa locação única, quem conta a passagem do tempo para o público, é a luz. Dia, noite, chuva, sol nascendo — tudo isso precisa aparecer na mesma sala, gravada ao longo de semanas.

A história é real e se passa em três dias. Dirigido por Anthony Maras a partir da peça de David Haig, Pressure reconstrói as 72 horas antes do Dia D, em junho de 1944. A maior invasão marítima da história dependia de uma coisa que ninguém controla: o tempo. E a previsão estava rachada. James Stagg, o meteorologista escocês do alto-comando aliado (Andrew Scott), via uma tempestade chegando na data marcada; o americano Irving Krick (Chris Messina) garantia céu limpo. No meio dos dois, o general Eisenhower (Brendan Fraser) tinha que decidir se mandava milhares de homens para a Normandia — apostando em dados que chegavam de balões meteorológicos espalhados de Terra Nova à costa da África.

Por isso o filme fica quase o tempo todo na sala de mapas. É ali que os dados chegam, que a briga entre os dois meteorologistas acontece e que a decisão é tomada. O desembarque fica fora de quadro; o que está em cena é a espera. E espera longa, num cômodo só, quem sustenta na imagem é a luz.

O diretor de fotografia Jamie D. Ramsay (BSC, SASC) resolveu esse problema deixando a luz programada. Cada fonte da sala foi pré-configurada em temperaturas de cor diferentes, para ele trocar o clima na hora, sem parar a diária a cada cena para refazer tudo. Manhã vira um preset, tempestade vira outro. É a decisão que segura o filme de pé.

O diretor de fotografia Jamie D. Ramsay, BSC, SASC, prepara-se para filmar uma cena de *Pressure*.
Foto de Alex Bailey, cortesia da Focus Features e da Studiocanal.

Por que uma sala só é mais difícil do que parece?

Locação única engana. Você pode pensar "é só um cenário, monta uma vez e pronto", mas então descobre que a sala precisa ser cinco horas do dia diferentes, e que a continuidade evidencia cada erro: um take gravado na terça tem que casar com o plano ao lado, gravado três semanas depois, no mesmo lugar, com a mesma luz — só que agora é "outro dia" na história.

E tem o detalhe que Ramsay conta e que vira o inimigo secreto: a sala era voltada para o sul. Janela para o sul é o tipo de coisa que parece nada na planta e atrapalha tudo no set. O sol de verdade entra quando quer, e nunca no take certo. Então, a decisão de programar a luz é, na verdade, parar de negociar com o sol.

Como resolveram: Alexa Mini, Cooke S4 e presets de luz

A base de captação foi uma ARRI Alexa Mini com lentes Cooke S4. Ramsay diz que escolheu as S4 porque elas têm caráter suficiente para dar idade à imagem sem virarem estilo por cima da cena. Ele fechou o diafragma: rodou entre f/5.6 e f/8, fugindo do foco raso de propósito, para o público conseguir ver dentro do cenário e ler o fundo — a mesma lógica das fotografias de guerra da época, em que tudo está nítido porque tudo importa.

A luz é onde o plano aparece. Do lado de fora das janelas, fontes de 18K fazendo o "sol". Dentro e no teto, Creamsource Vortex8, Nanlux e LiteMats da LiteGear embutidas no cenário, fora de quadro. O key grip Charlie Flowers rodava os setups pré-programados, cada um numa temperatura de cor, para a sala passar de dia claro a fim de tarde chuvoso enquanto a equipe seguia gravando páginas de diálogo. Uns 15% do filme ainda foram em Super 16, com Arriflex SR3 e negativo Kodak Vision3 250D e 500D, na segunda unidade, para somar textura.

Repare no que isso muda no ritmo de trabalho. Sem os presets, cada mudança de hora do dia seria uma repontada de luz inteira — meia hora de equipe parada, no mínimo. Com os presets, é apertar um botão e continuar rodando.

ARRI Alexa Mini Camera Package with Cooke Mini S4 6 Lens Kit
ARRI Alexa Mini Camera Package with Cooke Mini S4 6 Lens Kit

O que podemos aprender e usar em qualquer produção

Agora vamos para a parte que interessa a quem não vai gravar um filme sobre a Segunda Guerra Mundial. O princípio que aprendemos não depende do orçamento de um filme - depende de planejar a luz como cena, não como reação.

Hoje quase todo set tem LED de temperatura variável com controle por DMX. Ou seja, o preset que a produção de Pressure montou com uma equipe grande, você pode montar num set corporativo com três fontes de luz e uma mesa. Pense no estúdio que grava oito horas seguidas: o mesmo apresentador, o mesmo cenário, e a luz que precisa continuar idêntica do primeiro take ao último — ou mudar de um módulo "abertura" para um "encerramento" sem refazer nada. Programar isso antes vai economizar horas de diária.

Onde assistir o filme?

Pressure está disponível no Prime Video. Vale assistir e prestar atenção na sala de mapas: a luz muda o tempo inteiro e o lugar é sempre o mesmo. Quando você souber que cada troca de clima é um preset, e não uma nova montagem, o filme se torna uma aula.

As informações técnicas deste texto vêm da entrevista de Jamie D. Ramsay à British Cinematographer.

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