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Produção Virtual: como a série “Star Trek – Strange New Worlds” grava sem sair do estúdio

Star Trek gravou dezenas de mundos num galpão em Toronto com produção virtual. Por que a tendência agiliza a produção — e o que ela ainda não resolve.

Bastidores das gravações da série "Star Trek - Strange New Worlds" com produção virtual

As naves e os planetas das séries recentes de Star Trek não ficam montadas num set nem numa locação. Ficam num painel de LED de cerca de 510 m², montado em formato de ferradura, dentro de um galpão em Toronto. São 1.800 painéis nas paredes e mais 650 no teto, alimentados em tempo real pela Unreal Engine, com rastreamento de câmera para que a imagem no LED mude de perspectiva junto com o movimento. Isso é produção virtual — e é assim que Star Trek: Strange New Worlds gravaram mais de 20 ambientes diferentes sem trocar de estúdio.

O estúdio foi construído pela Pixomondo (estúdio de VFX e produção virtual multipremiado) em poucos meses, no meio da pandemia - quando levar equipe para locação se tornou um risco sanitário. A necessidade era de emergência, mas o método pegou. E é esse método que vale entender, porque a mesma lógica que resolve uma nave espacial, pode resolver o fundo de um vídeo corporativo, em escala diferente e com a mesma ideia.

Um grande painel de led curvo, em um estúdio de alta tecnologia, com a palavra "pixomondo" destacada em letras brancas em negrito contra um fundo de grade colorido.
Bastidores - Produção Virtual

O ganho está no tempo

A questão é que escolher usar painel de led vai além de ter um efeito bonito em tempo real. O ganho está na linha de produção, onde o trabalho acontece.

Com greenscreen, a equipe grava o ator na frente do verde e descobre só na pós como vai ficar o fundo. Semanas depois. Usando produção virtual, o fundo já está pronto e aparece na câmera, durante a gravação. O diretor de fotografia monta a cena com a luz que o próprio LED projeta, o ator vê o cenário onde está, e o que sai da câmera já é quase o plano final. Jason Zimmerman, supervisor de efeitos das séries de Star Trek, resume: “ter a coisa dentro da câmera no dia é muito melhor que greenscreen, em vários sentidos.”

O que muda de verdade é a etapa onde o esforço acontece. Ao invés de gastar mais tempo na diária e na pós, a pré-produção ocupa esse papel: o cenário digital já precisa estar construído e pronto para ser fotografado. Isso encurta a pós e encurta a diária, mas só porque alguém adiantou o trabalho lá no começo. Ou seja, é quase o mesmo trabalho, mas feito em outra ordem – e economizando mais tempo.

O ambiente de painéis de LED reproduz o poderoso funcionamento interno do núcleo de dobra da nave estelar Enterprise.
Foto de Marni Grossman

Pontos de atenção

Todo painel de LED tem limite, fato. Sam Nicholson, veterano de efeitos visuais, aponta dois problemas concretos: os painéis de hoje trabalham em 10 bits com resolução ainda modesta perto de um sensor de cinema, o que exige casar câmera e conteúdo com cuidado para não aparecer moiré nem banda de cor.

E, com os avanços da tecnologia, hoje tudo tem prazo de validade: a solução de agora pode ser trocada por outra em seis meses. Fora isso, plano muito aberto de paisagem, superfície muito reflexiva e movimento de câmera muito extremo ainda entregam o truque.

Tem também a questão do custo, que muda de lugar em vez de sumir. O investimento sai da locação e da pós e vai para a construção do cenário digital e para a hora de estúdio. Numa série que roda uma temporada inteira, esse custo se dilui entre dezenas de episódios e, no fim, compensa. Num vídeo único, a conta é outra e precisa ser feita antes, para avaliar e escolher o melhor caminho.

Painel de led curvo em um estúdio, projetando o interior de uma nave espacial.
Bastidores - Produção Virtual

O mesmo princípio cabe no seu set

Não é preciso ter um painel de 510 m² para usar a ideia. Um painel de LED menor, com o fundo certo rodando em tempo real, já resolve o que antes pedia viagem ou greenscreen: o escritório que a marca não tem, a fábrica que não dá para parar para gravar, o ambiente que só existe em render. Em conteúdo corporativo, comunicação interna e institucional, o ganho é o mesmo das séries: o resultado sai na câmera no dia e a equipe não depende de locação livre na agenda de todo mundo.

A YAD tem estrutura de produção virtual nos estúdios em São Paulo, com painel de LED e captação para gravar dessa forma. Você está convidado para conhecer nosso trabalho - fale com a gente e agende sua visita.

A produção virtual saiu do território de blockbuster e virou ferramenta para vários projetos. A pergunta que fica para quem produz não é se a tecnologia funciona — Star Trek já respondeu isso com 20 mundos num galpão só. É qual dos seus projetos hoje gasta tempo e dinheiro indo atrás de um fundo que poderia estar rodando numa tela.

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